Empresa que fez “buraco fake” em Sorocaba é investigada pela PF por pagamento de R$ 553,8 mil em propina ao prefeito tiktoker; Raul Marcelo encaminha denúncia

A mesma empresa mantém contratos milionários com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (Saae), que, somados e prorrogados ao longo dos anos, ultrapassam R$ 77 milhões

5 May 2026, 14:50 Tempo de leitura: 3 minutos, 24 segundos
Empresa que fez “buraco fake” em Sorocaba é investigada pela PF por pagamento de R$ 553,8 mil em propina ao prefeito tiktoker; Raul Marcelo encaminha denúncia

O vereador Raul Marcelo (PSOL) denunciou, nesta terça-feira (5), à Polícia Federal e ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que a empresa responsável pelo “buraco fake” utilizado em vídeo do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), é investigada por pagamento de R$ 553,8 mil em propina ao “prefeito tiktoker”. As informações foram apresentadas no âmbito da Operação Copia e Cola e conectam o episódio no Jardim Leocádia a contratos públicos de grande vulto e a suspeitas já apuradas em nível federal.

De acordo com a petição, a empresa responsável pela intervenção também aparece em registros investigativos associados ao pagamento de vantagens indevidas. A mesma empresa mantém contratos milionários com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (Saae), que, somados e prorrogados ao longo dos anos, ultrapassam R$ 77 milhões.

A documentação aponta que a ação no Jardim Leocádia — abertura e posterior fechamento de um buraco em via pública — mobilizou estrutura da administração e empresa terceirizada, com custos ao erário. Para Raul Marcelo, o caso não pode ser tratado como episódio isolado. “Quando a mesma empresa aparece em contratos continuados, em operação investigada por corrupção e em ação utilizada para promoção pessoal, há um nexo que precisa ser enfrentado com seriedade institucional”, afirma Raul Marcelo, autor da denúncia do “buraco fake” feito a mando do prefeito tiktoker de Sorocaba.

O parlamentar sustenta que os novos elementos reforçam a hipótese de funcionamento de uma engrenagem mais ampla, na qual contratos públicos, decisões administrativas e interesses privados se entrelaçam de forma recorrente. A manifestação busca aprofundar as investigações já em curso, com foco no histórico contratual, na responsabilidade pela execução do episódio e na eventual relação financeira entre agentes públicos e fornecedores.

Entre os pedidos estão a incorporação das informações ao inquérito, a análise detalhada dos contratos firmados com a empresa citada e a apuração de responsabilidades administrativas e criminais. Raul também defende a adoção de todas as medidas cabíveis para esclarecer o uso de recursos públicos em ações que destoem do interesse coletivo.

“A cidade precisa de transparência, não de encenação. O que está em jogo não é apenas um fato curioso, mas o modo como o poder público se relaciona com o dinheiro e com a verdade”, conclui o vereador.

Sobre o “buraco fake” do prefeito de Sorocaba

O vereador Raul Marcelo acionou, no dia 23 de abril, o Ministério Público de São Paulo contra o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, o “prefeito tiktoker” e também conhecido pela Polícia Federal como líder de organização criminosa, por abrir um “buraco fake” sem qualquer necessidade para gravar vídeo destinado às suas redes sociais pessoais, utilizando a máquina pública para autopromoção.

Segundo denúncias encaminhadas ao parlamentar, o buraco foi aberto com o objetivo de viabilizar a gravação de conteúdo para as redes sociais pessoais de Manga, popularmente conhecido como “prefeito tiktoker”. A denúncia, que também parte de servidores da própria autarquia, levanta suspeitas sobre o uso indevido da estrutura pública. Após a gravação do vídeo, funcionários do Saae fecharam o buraco, que foi feito no Jardim Leocádia, em Sorocaba.

Diante desse cenário, a representação apresentada por Raul Marcelo detalha possíveis ilegalidades. O vereador aponta que a conduta pode ir além da improbidade administrativa, com indícios de crimes como peculato, pelo uso de estrutura pública em benefício próprio; falsificação de documento público, em razão de possíveis irregularidades em registros oficiais; além de emprego irregular de verbas públicas, caso fique comprovado o desvio de finalidade no uso de recursos.