Técnicos do Saae denunciam governo Manga de sucatear estações de tratamento de esgoto

Trabalhadores que atuam como técnicos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (Saae) elaboraram um relatório de denúncia de sucateamento das estações de tratamento de esgoto e protocolaram no Ministério Público e na Cetesb.

10 out 2021, 10:21 Tempo de leitura: 3 minutos, 6 segundos
Técnicos do Saae denunciam governo Manga de sucatear estações de tratamento de esgoto

Reportagem da jornalista Fernanda Ikedo, do portal PORQUE

Trabalhadores que atuam como técnicos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (Saae) elaboraram um relatório de denúncia de sucateamento das estações de tratamento de esgoto e protocolaram no Ministério Público e na Cetesb.

O documento demonstra como algumas estações de tratamento de esgoto (ETE) do Saae Sorocaba “estão sistematicamente sofrendo processo de sucateamento nos seus equipamentos, tornando o processo de tratamento inadequado”.
Os trabalhadores denunciam que os equipamentos não recebem a devida manutenção e, com isso, o próprio tratamento fica seriamente comprometido, “inclusive gerando um efeito em cascata que compromete a eficiência dos demais equipamentos”. “O que se observa é uma constate falta de manutenção e investimento ao longo dos anos”.

A preocupação apontada no estudo dos técnicos é que esse sucateamento sirva de desculpa ao poder público para uma privatização do Saae.
Por isso, eles destacam a importância de a sociedade estar informada sobre a situação das instalações de esgotamento sanitário, que, segundo eles, podem ser reparadas a tempo. “Os problemas aqui elencados são passíveis de resolução com até certa facilidade ainda, desde que haja interesse pela diretoria e prefeito”.

ALGUNS DESTAQUES DO RELATÓRIO:

ETE PITICO
• Existe uma reforma em andamento na ETE Pitico, mas há equipamentos sem manutenção que prejudicam a eficiência do tratamento agora e que não dependem da conclusão da reforma e ampliação;
• Gerador a diesel ao lado da cabine dos painéis das bombas da elevatória de esgoto bruto da estação é um equipamento novo, adquirido há mais de um ano, sem estar ainda operante.

ETE ITANGUÁ
• Elevatória funcionando somente com duas bombas, pois tem capacidade para quatro bombas. Bombas e sistema danificados e não reparados. Dois sistemas de bombeamento sem funcionar;
• Gradeamento de sólidos, estrutura sem condições de recuperação, serviço precário, risco para o servidor, pois a qualquer momento pode desabar e atingir o servidor que opera a máquina;
• Sistema de descarte de resíduos sólidos dos caminhões a vácuo. Sistema precário, solo sofre contaminação, estrutura mal elaborada, precisa de reestruturação para conter os resíduos sólidos líquidos que não caem dentro da caçamba.

ETES2
• Peneira mecanizada desativada há, pelo menos, dois anos;
• Bombas de lavagem da peneira mecanizada inoperantes;
• Sistema de escuma, responsável pela retirada de gorduras e material flotante dos decantadores, inoperante há anos;
• Bombas de água de reúso inoperantes há tempos, não se usa água de reúso para lavagens de usos menos nobres da estação, como centrífugas de lodo, salão da centrífuga, grades da elevatória de esgoto bruto etc… Todos esses procedimentos são feitos com água potável em plena crise hídrica!

ETE APARECIDINHA
• Boias e bombas de recirculação apresentando mal funcionamento há mais de um ano, causando transbordamento e falha na vazão de recirculação;
• Queimador de gases do reator anaeróbio. Nunca funcionou desde o início de operação da estação.
Os técnicos afirmam no relatório que as chefias imediatas já foram, inúmeras vezes, avisadas para que sejam feitas as devidas manutenções; “porém, infelizmente, na gestão atual há um sucateamento escancarado, onde, por exemplo, há falta de insumos básicos aos profissionais da eletromecânica do SAAE (como óleo de lubrificação). Portanto, o que se dirá de bombas e motores de sopradores que possuem o custo muito mais elevado para manutenção/substituição”.