Raul Marcelo denuncia ao MPF possível interferência de Rodrigo Manga na CPI da Saúde
Para Raul Marcelo, o conteúdo do áudio é grave e reforça a necessidade de investigação rigorosa. “Se há articulação política para blindar o prefeito e desmoralizar a CPI, isso precisa ser apurado com profundidade. Não vamos aceitar que uma investigação desse porte termine em pizza”, afirmou
11 Feb 2026, 14:38 Tempo de leitura: 2 minutos, 35 segundos
O vereador Raul Marcelo (PSOL) protocolou nesta quinta-feira (12) uma denúncia no Ministério Público Federal (MPF) contra o prefeito afastado de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), conhecido como ‘prefeito tiktoker’, após a revelação de um áudio captado pelo microfone da mesa da presidência da Câmara Municipal. O conteúdo aponta para a existência de uma “estratégia” articulada nos bastidores para esvaziar as investigações da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde, que apura contratos sob suspeita de corrupção firmados durante a gestão de Manga.
A gravação ocorreu na última terça-feira (10/2), durante sessão ordinária do Legislativo sorocabano. Nela, o presidente da Câmara, Luis Santos (Republicanos), diz: “É estratégia dele”, em diálogo com o presidente da CPI da Saúde, Cláudio Sorocaba (PSD). O áudio vazado levanta suspeitas de possível atuação do prefeito afastado Rodrigo Manga nos rumos da comissão. Durante a conversa, também foram registrados ataques e xingamentos contra parlamentares da oposição.
O caso é considerado ainda mais grave porque Rodrigo Manga está afastado do cargo por decisão da Justiça Federal por 180 dias, medida em vigor desde 6 de novembro de 2025. A decisão também o proíbe de acessar a Prefeitura de Sorocaba ou a Câmara Municipal, além de manter contato, direto ou por terceiros, com servidores públicos e investigados da operação Copia e Cola, da Polícia Federal.
Para Raul Marcelo, o áudio reforça indícios de tentativa de interferência política em uma investigação que envolve possíveis irregularidades sérias na saúde pública. “Se há articulação para blindar o prefeito e desmoralizar a CPI, isso precisa ser apurado com profundidade. Não é aceitável que uma investigação desse porte seja esvaziada”, afirmou.
A denúncia de Raul Marcelo solicita que o MPF investigue eventual obstrução das apurações, bem como possível uso da estrutura do Legislativo em manobras políticas para enfraquecer os trabalhos da comissão.
“O áudio não revela apenas uma opinião. Ele indica um ambiente em que investigar virou incômodo e onde há movimentações para proteger quem deveria ser investigado. A população de Sorocaba merece respeito, transparência e responsabilidade com o dinheiro público, especialmente na saúde”, completou o vereador.
A apuração que resultou na operação Copia e Cola teve início em 2022, após suspeitas de irregularidades na contratação da organização social Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Aceni) para administrar serviços de saúde no município, primeiro na UPA do Éden e depois na UPH Zona Oeste. Os contratos sob suspeita somam R$ 123,7 milhões e foram denunciados por Raul Marcelo ao Ministério Público Estadual, ao MPF e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.